O que Fazer Durante um Surto Psicótico ou Crise de Agressividade?
Saber o que fazer durante um surto psicótico ou crise de agressividade pode fazer muita diferença para proteger a pessoa em sofrimento, a família e todos ao redor. Situações assim costumam assustar porque podem envolver fala confusa, medo intenso, desconfiança, agitação, gritos, ameaças, atitudes impulsivas ou perda temporária da capacidade de avaliar a realidade com clareza.
Um surto psicótico pode envolver sintomas como delírios, alucinações, pensamento desorganizado, fala desconexa e comportamento muito diferente do habitual. Em termos simples, é uma condição em que a pessoa pode ter dificuldade de distinguir o que é real do que não é. O Manual MSD descreve sintomas psicóticos como delírios, alucinações, fala e comportamento desorganizados, associados à perda de contato com a realidade.
Já a crise de agressividade nem sempre significa psicose. Ela pode surgir por sofrimento emocional intenso, medo, confusão, intoxicação, abstinência, dor, transtornos neurológicos, quadros psiquiátricos, estresse extremo ou conflitos familiares acumulados. Por isso, o objetivo principal no primeiro momento não é discutir, convencer ou diagnosticar. O objetivo é reduzir riscos, acalmar o ambiente e buscar ajuda profissional quando necessário.
O mais importante é entender que uma crise não deve ser tratada como “frescura”, “maldade” ou “falta de caráter”. Muitas vezes, a pessoa está assustada, desorganizada ou sem controle adequado sobre as próprias reações. Isso não significa aceitar violência, mas significa agir com estratégia, firmeza e segurança.
Primeira regra: priorize a segurança
Durante um surto psicótico ou crise de agressividade, a segurança vem antes de qualquer conversa profunda. Não é o momento de tentar resolver problemas antigos, cobrar explicações, impor culpa ou discutir quem está certo.
A primeira atitude deve ser observar rapidamente o ambiente. Veja se existem objetos que possam ser usados de forma perigosa, portas trancadas, crianças por perto, idosos vulneráveis, animais assustados, janelas abertas ou qualquer fator que aumente o risco. Se for possível fazer isso sem confronto, afaste discretamente objetos cortantes, pesados ou quebráveis.
Também é importante manter uma distância segura. Ficar muito perto pode ser interpretado como ameaça, principalmente se a pessoa estiver desconfiada, com medo ou ouvindo/interpretando coisas de forma distorcida. Evite cercá-la, bloqueá-la ou encurralá-la. Sempre que possível, deixe uma saída livre, tanto para você quanto para ela.
Se houver risco imediato de alguém se machucar, a orientação deve ser buscar ajuda emergencial. O Hospital Israelita Albert Einstein destaca que surtos psicóticos exigem socorro profissional, especialmente quando há perda de contato com a realidade e risco de agravamento do quadro.
Mantenha a calma, mesmo que seja difícil
A pessoa em crise pode estar falando alto, chorando, acusando, ameaçando sair, dizendo coisas sem sentido ou reagindo como se estivesse em perigo. Nessa hora, o tom de voz de quem está ajudando pode aumentar ou diminuir a tensão.
Fale baixo, devagar e com frases curtas. Uma frase simples como “Eu estou aqui para te ajudar” costuma funcionar melhor do que longas explicações. Evite falar várias pessoas ao mesmo tempo. O ideal é escolher uma pessoa de referência, de preferência alguém que a pessoa em crise confie e que consiga manter o equilíbrio emocional.
Evite demonstrar pânico. Isso não significa fingir que está tudo bem, mas agir de forma organizada. Respire, fale pouco e observe. Quanto mais barulho, gente em volta, broncas e ordens ao mesmo tempo, maior pode ser a escalada da crise.
Uma boa postura é: corpo levemente de lado, mãos visíveis, voz firme e respeitosa. Evite apontar o dedo, tocar sem permissão, rir, ironizar ou filmar. Além de aumentar o sofrimento, esse tipo de atitude pode piorar a reação da pessoa.
Não confronte delírios ou percepções alteradas
Um erro comum é tentar convencer a pessoa de que aquilo que ela está dizendo “não existe” ou “é coisa da cabeça dela”. Embora a intenção possa ser ajudar, confrontar diretamente uma crença delirante durante o pico da crise costuma aumentar a resistência.
Por exemplo, se a pessoa diz que está sendo perseguida, não é útil responder: “Para com isso, você está inventando”. Também não é adequado entrar no delírio e dizer: “Sim, tem alguém atrás de você”. O melhor caminho é validar a emoção sem confirmar a ideia.
Você pode dizer: “Eu vejo que você está muito assustado. Vamos tentar ficar em um lugar mais tranquilo.” Assim, você reconhece o medo, mas não reforça a percepção distorcida.
A mesma lógica vale para alucinações. Se a pessoa relata ouvir ou ver algo que os outros não percebem, evite ridicularizar. Diga algo como: “Eu não estou percebendo isso, mas entendo que para você parece muito real. Vamos respirar e buscar ajuda.”
Esse tipo de comunicação reduz o confronto e mantém uma ponte de confiança.
O que falar durante a crise
Durante uma crise, frases curtas funcionam melhor. A pessoa pode estar com dificuldade para processar muitas informações, então discursos longos podem confundir ainda mais.
Use frases como:
“Você está seguro agora.”
“Eu não vou discutir com você.”
“Vamos respirar um pouco.”
“Vou ficar aqui, mantendo distância.”
“Quero te ajudar sem te pressionar.”
“Vamos para um lugar mais calmo.”
“Você não precisa resolver tudo agora.”
“Podemos chamar ajuda para você se sentir melhor.”
O segredo é transmitir segurança sem infantilizar. Fale com respeito. A pessoa pode estar em crise, mas continua sendo alguém com dignidade.
Evite frases como:
“Você está louco.”
“Para de drama.”
“Você está passando vergonha.”
“Se acalma agora.”
“Você sempre faz isso.”
“Vou te trancar.”
“Todo mundo está vendo.”
“Você vai se arrepender.”
Essas frases aumentam vergonha, raiva, medo e sensação de ameaça. Em uma crise de agressividade, vergonha e humilhação podem ser combustíveis para uma reação ainda mais intensa.
Tabela: o que fazer e o que evitar durante um surto psicótico ou crise de agressividade
| Situação | O que fazer | O que evitar |
|---|---|---|
| Pessoa gritando ou muito agitada | Fale baixo, use frases curtas e reduza estímulos | Gritar de volta, discutir ou ameaçar |
| Pessoa desconfiada ou com medo | Mantenha distância segura e valide a emoção | Dizer que ela está inventando ou exagerando |
| Ambiente com objetos perigosos | Afaste objetos discretamente, se for seguro | Tentar arrancar algo da mão à força sem preparo |
| Muitas pessoas ao redor | Escolha uma pessoa para conversar e afaste curiosos | Todos falarem ao mesmo tempo |
| Pessoa querendo sair | Avalie risco, mantenha diálogo e peça ajuda se necessário | Bloquear fisicamente a passagem de forma impulsiva |
| Agressividade aumentando | Priorize distância, rota de saída e ajuda emergencial | Entrar em disputa corporal ou provocação |
| Fala confusa ou sem sentido | Escute o essencial e responda com simplicidade | Fazer interrogatório ou exigir explicações |
| Uso de medicação | Siga apenas orientação médica já prescrita | Dar remédios sem prescrição ou misturar substâncias |
| Após a crise | Registre sinais, gatilhos e procure avaliação | Fingir que nada aconteceu ou usar culpa como correção |
Reduza estímulos no ambiente

Barulho, luz forte, televisão ligada, pessoas discutindo, celular tocando e circulação excessiva podem piorar a crise. Quando possível, reduza estímulos.
Desligue televisão ou som alto. Diminua a quantidade de pessoas no cômodo. Fale com calma. Evite contato visual fixo e intimidador. Não faça movimentos bruscos. Se houver crianças por perto, leve-as para outro ambiente com segurança.
Um ambiente mais calmo não resolve sozinho o surto psicótico ou a crise de agressividade, mas pode diminuir a intensidade da situação. Em muitos casos, reduzir estímulos evita que a pessoa se sinta ainda mais perseguida, pressionada ou ameaçada.
Se a crise estiver acontecendo em local público, tente conduzir a situação para um espaço mais reservado, desde que isso não aumente o risco. Em locais com muita gente, a pessoa pode se sentir observada, julgada ou acuada.
Não tente conter fisicamente sem necessidade e preparo
Conter alguém fisicamente é uma medida de alto risco. Pode machucar a pessoa em crise e quem tenta ajudar. Também pode aumentar a sensação de ameaça e transformar uma crise verbal em uma situação mais grave.
A contenção física não deve ser uma reação automática. Só deve ser considerada em contexto de risco iminente e, preferencialmente, por profissionais preparados. Na maioria das situações familiares, o mais seguro é manter distância, retirar pessoas vulneráveis do ambiente e acionar ajuda.
Se a pessoa está apenas gritando, falando coisas confusas ou andando de um lado para o outro, tentar segurá-la pode piorar. O foco deve ser diminuir estímulos, falar com calma e evitar confronto.
Também não é recomendado trancar a pessoa em um cômodo, tomar o celular à força, empurrar, imobilizar ou cercar com várias pessoas. Essas atitudes podem ser interpretadas como agressão.
Não ofereça medicamentos sem orientação
Durante o desespero, familiares podem pensar em dar calmantes, remédios antigos, medicação de outro parente ou doses extras de medicamentos já prescritos. Isso é perigoso.
Medicamentos psiquiátricos precisam de orientação profissional. Dar algo sem prescrição pode causar efeitos indesejados, interação com outras substâncias, sonolência excessiva, piora da confusão ou outros riscos. A Associação Brasileira de Psiquiatria orienta que tratamentos e medicamentos não sejam interrompidos ou modificados sem orientação médica.
Se a pessoa já tem um plano médico para momentos de crise, siga exatamente o que foi orientado pelo profissional responsável. Se não existe orientação clara, não improvise. Busque atendimento.
Também evite oferecer bebida alcoólica, “chás fortes”, misturas caseiras ou qualquer substância para “apagar” a pessoa. O objetivo não é sedar sem critério; é proteger e encaminhar para avaliação adequada.
Quando a crise envolve agressividade
Crise de agressividade pode surgir de medo, irritação extrema, desorganização mental, sensação de ameaça, uso de substâncias, conflito familiar ou sofrimento acumulado. A agressividade pode ser verbal, gestual ou física.
O primeiro passo é não entrar em disputa de poder. Frases como “aqui quem manda sou eu” ou “quero ver você fazer isso” aumentam o risco. Em vez disso, use limites objetivos: “Eu quero te ajudar, mas não vou ficar perto se você tentar me machucar. Vou manter distância e chamar ajuda.”
Limite não é ameaça. Limite é uma forma de segurança. Ele deve ser dito de maneira firme, curta e sem provocação.
Se a pessoa estiver avançando, quebrando objetos ou ameaçando alguém, saia do alcance e proteja os demais. Não tente bancar o herói. Afaste crianças, idosos e pessoas vulneráveis. Se necessário, peça apoio emergencial.
Depois que a crise passar, a conversa sobre consequências deve ser feita com calma, não no pico da alteração. Durante a crise, a prioridade é estabilizar.
Quando procurar ajuda imediatamente
Procure ajuda imediata quando houver risco à integridade da pessoa ou de terceiros, confusão intensa, perda importante de contato com a realidade, agitação incontrolável, suspeita de intoxicação, comportamento muito diferente do habitual, recusa total de diálogo em cenário de risco, ou quando a família não consegue garantir segurança.
Também é importante buscar avaliação quando for o primeiro episódio. Um primeiro surto psicótico precisa ser investigado, porque pode estar relacionado a diferentes causas: transtornos psiquiátricos, condições clínicas, alterações neurológicas, privação intensa de sono, uso de substâncias ou outros fatores.
Nem toda crise exige internação, mas toda crise importante merece avaliação. O profissional irá considerar intensidade dos sintomas, riscos, histórico, suporte familiar, uso de medicamentos, doenças associadas e capacidade de manter a pessoa segura fora do ambiente hospitalar.
O Manual MSD aponta que sintomas psicóticos podem aparecer em diferentes transtornos e condições, o que reforça a importância de avaliação profissional em vez de conclusões precipitadas.
Como agir se a pessoa recusar ajuda
A recusa é comum. A pessoa pode não perceber que está em crise, pode estar desconfiada ou pode ter medo de ser julgada. Nesses casos, insistir de forma agressiva raramente funciona.
Em vez de dizer “você precisa de psiquiatra agora”, tente algo mais aceitável: “Vamos conversar com um profissional para você conseguir dormir e se sentir mais seguro.” Ou: “Não quero te obrigar a nada, mas estou preocupado com sua segurança.”
Quando a pessoa se sente respeitada, a chance de colaboração aumenta. Porém, respeito não significa abandonar a segurança. Se houver risco grave, a família deve buscar ajuda mesmo diante da recusa.
Evite negociar com promessas impossíveis. Não diga que “nada vai acontecer” se você não tem controle sobre a situação. Seja honesto: “Eu quero que isso seja feito da forma mais tranquila possível.”
O que fazer depois que a crise passar
Após o pico da crise, muitas famílias ficam aliviadas e tentam esquecer o episódio. Isso é compreensível, mas não é o ideal. O período depois da crise é fundamental para prevenir novas ocorrências.
Quando a pessoa estiver mais calma, descansada e orientada, converse com cuidado. Não comece acusando. Pergunte como ela se sentiu, o que lembra, o que pode ter contribuído e qual tipo de ajuda aceita.
Também é útil anotar informações importantes:
- horário em que a crise começou;
- quanto tempo durou;
- sinais que apareceram antes;
- possíveis gatilhos;
- uso ou interrupção de medicamentos;
- privação de sono;
- conflitos recentes;
- falas importantes;
- comportamento durante e depois;
- o que ajudou a acalmar;
- o que piorou.
Essas informações ajudam muito na avaliação profissional. Muitas vezes, a família percebe padrões: noites sem dormir, isolamento, aumento de desconfiança, abandono de tratamento, excesso de estresse ou conflitos específicos.
Plano de crise: como se preparar antes da próxima emergência

Famílias que convivem com quadros psiquiátricos recorrentes devem ter um plano de crise. Esse plano deve ser construído preferencialmente com orientação profissional e participação da pessoa, quando ela estiver estável.
Um plano de crise pode incluir:
- sinais iniciais de alerta;
- contatos de profissionais de referência;
- medicamentos de uso contínuo e orientações já prescritas;
- pessoas da família que conseguem ajudar com calma;
- frases que ajudam a pessoa a se sentir segura;
- atitudes que devem ser evitadas;
- hospital ou serviço de urgência de preferência;
- documentos necessários;
- plano para proteger crianças, idosos e animais;
- combinação sobre quando buscar ajuda emergencial.
A Associação Brasileira de Psiquiatria destaca a importância da informação segura e da psicoeducação envolvendo pessoas próximas, especialmente familiares, para reduzir estigma e melhorar o cuidado.
Ter um plano não elimina crises, mas reduz improvisos. E improviso, em situações de alta tensão, costuma aumentar riscos.
Como diferenciar crise emocional, agressividade e surto psicótico?
Não é papel da família fechar diagnóstico, mas alguns sinais ajudam a entender a gravidade.
Uma crise emocional pode envolver choro, raiva, ansiedade, tremores, fala acelerada e sensação de descontrole, mas a pessoa geralmente mantém alguma conexão com a realidade. Ela pode estar muito abalada, mas compreende onde está, quem são as pessoas e o que está acontecendo.
A crise de agressividade envolve comportamento hostil, ameaça, impulsividade ou atitudes que colocam alguém em risco. Pode acontecer com ou sem psicose.
O surto psicótico costuma envolver perda de contato com a realidade. A pessoa pode acreditar firmemente em algo sem base real, ouvir ou ver coisas que os outros não percebem, interpretar situações comuns como ameaças, falar de forma desorganizada ou agir de maneira muito diferente do habitual.
Essas categorias podem se misturar. Uma pessoa em surto pode ficar agressiva por medo. Uma pessoa agressiva pode não estar psicótica. Uma crise emocional intensa pode parecer assustadora, mas não ser psicose. Por isso, avaliação profissional é indispensável.
A importância de não estigmatizar
Muitas pessoas evitam buscar ajuda por medo de rótulos. Termos ofensivos, piadas e comentários humilhantes fazem com que a pessoa esconda sintomas, abandone tratamento ou recuse apoio.
Surto psicótico não define quem a pessoa é. Crise de agressividade também não deve ser ignorada, mas precisa ser compreendida dentro de um contexto clínico, emocional e familiar.
É possível responsabilizar uma pessoa por buscar tratamento e, ao mesmo tempo, reconhecer que ela pode estar sofrendo. Uma família madura não passa pano para riscos, mas também não transforma a crise em humilhação pública.
Evite expor o episódio em redes sociais, grupos de mensagens ou conversas desnecessárias. A privacidade é parte do cuidado.
Como conversar com crianças e adolescentes que presenciaram a crise
Quando crianças ou adolescentes presenciam uma crise, é importante explicar com linguagem simples e sem detalhes assustadores. Dizer apenas “não foi nada” pode deixá-los mais confusos, porque eles viram que algo aconteceu.
Uma explicação adequada seria: “A pessoa teve um momento de muito sofrimento e perdeu o controle. Os adultos estão cuidando para que todos fiquem seguros.”
Não coloque a criança como responsável por acalmar o adulto, não peça segredo pesado. Depois, observe se ela ficou com medo, insegura ou com dificuldade para dormir.
Cuidar de quem presenciou também faz parte da recuperação familiar.
Erros comuns que pioram a situação
Um dos erros mais comuns é discutir lógica com alguém que está em perda de contato com a realidade. Durante o pico do surto, argumentos racionais podem não funcionar.
Outro erro é reunir muitas pessoas para “dar pressão”. Isso pode fazer a pessoa se sentir acuada.
Também é prejudicial usar culpa como estratégia: “Olha o que você está fazendo com sua mãe.” Embora a frase pareça forte, ela pode aumentar desespero e agressividade.
Ameaçar abandono, castigo ou exposição pública também piora. O ideal é separar segurança de punição. Primeiro, estabilize. Depois, com ajuda profissional, a família pode discutir responsabilidades e limites.
O papel da família no tratamento
A família não substitui médico, psicólogo ou equipe especializada. Mas a família tem papel essencial na observação, apoio, rotina e prevenção.
Familiares podem ajudar percebendo sinais precoces, incentivando tratamento, acompanhando consultas quando autorizado, evitando interrupção indevida de medicamentos, promovendo rotina de sono e reduzindo conflitos desnecessários.
Também precisam cuidar de si. Conviver com crises recorrentes gera desgaste. Familiares podem desenvolver medo, culpa, raiva e exaustão. Buscar orientação para a própria família não é egoísmo; é uma forma de manter a rede de apoio funcionando.
O que fazer durante um surto psicótico ou crise de agressividade em casa?
Em casa, retire pessoas vulneráveis do ambiente, reduza estímulos, mantenha distância segura, fale com calma e evite confrontar. Se houver risco, busque ajuda emergencial.
Tente manter uma pessoa só conduzindo a conversa. As demais devem ajudar nos bastidores: abrir espaço, retirar objetos de risco, cuidar de crianças, organizar documentos e acionar apoio.
Não tranque portas de forma impulsiva, não esconda chaves se isso puder gerar confronto e não tente resolver tudo sozinho. Segurança familiar exige organização.
O que fazer durante um surto psicótico ou crise de agressividade em local público?
Em local público, a exposição pode aumentar vergonha e tensão. Tente reduzir plateia. Fale com calma e conduza a pessoa para um local menos movimentado, se isso for seguro.
Evite segurar, filmar ou discutir na frente de todos. Se houver funcionários do local, peça ajuda de forma discreta. Explique que se trata de uma emergência de saúde e que é preciso manter distância e reduzir estímulos.
Se a pessoa estiver colocando alguém em risco, acione ajuda imediatamente. Não tente controlar a situação apenas pela força.
Quando a internação pode ser considerada?
A internação pode ser considerada quando a pessoa apresenta risco importante, perda grave de contato com a realidade, incapacidade de manter cuidados básicos, agitação intensa, recusa de tratamento em situação crítica ou quando a família não consegue garantir segurança em casa.
Essa decisão deve ser feita por profissionais habilitados, com base em avaliação clínica. A família pode relatar fatos, histórico, episódios anteriores e riscos percebidos, mas não deve tratar a internação como ameaça ou castigo.
A internação, quando indicada, é uma medida de cuidado e estabilização. O objetivo é proteger, avaliar, tratar e planejar continuidade do acompanhamento.
Como prevenir novas crises
Nem toda crise pode ser prevista, mas muitos episódios dão sinais antes. Mudança brusca no sono, isolamento, desconfiança crescente, irritabilidade fora do padrão, abandono de tratamento, fala estranha, medo intenso, comportamento impulsivo e piora funcional podem ser alertas.
Prevenção envolve rotina, acompanhamento profissional, uso correto de medicações quando prescritas, redução de conflitos, sono adequado, rede de apoio e plano de crise.
Também é importante evitar que a família só aja quando tudo explode. Procurar ajuda nos primeiros sinais é mais eficaz do que esperar a crise ficar grave.
Considerações finais
Entender o que fazer durante um surto psicótico ou crise de agressividade é essencial para agir com mais segurança e menos desespero. O ponto principal é não transformar a crise em uma disputa. A pessoa pode estar em sofrimento intenso, com medo, confusa ou sem controle adequado das próprias reações.
A melhor conduta envolve calma, distância segura, redução de estímulos, comunicação simples, limites firmes e busca de ajuda profissional quando houver risco ou perda de contato com a realidade.
Famílias preparadas conseguem agir com mais clareza. Ter um plano de crise, conhecer sinais de alerta, evitar confrontos e manter acompanhamento adequado pode reduzir danos e melhorar a recuperação.
Uma crise não deve ser ignorada, minimizada ou usada para envergonhar a pessoa. Ela deve ser tratada como um sinal de que algo precisa de cuidado sério, responsável e humano.
Perguntas frequentes sobre surto psicótico e crise de agressividade
1. O que fazer primeiro durante um surto psicótico?
A primeira atitude é garantir segurança. Mantenha distância, reduza estímulos, fale com calma, afaste pessoas vulneráveis e evite confronto. Se houver risco imediato, busque ajuda emergencial.
2. Devo dizer que a pessoa está imaginando coisas?
Não é recomendado confrontar diretamente. Em vez de dizer que ela está inventando, valide a emoção: “Entendo que isso parece assustador para você.” Assim, você não reforça a percepção alterada, mas também não aumenta o conflito.
3. Posso segurar a pessoa durante a crise?
Evite contenção física sem preparo. Segurar alguém pode aumentar o risco de ferimentos e piorar a agitação. Priorize distância, ambiente seguro e ajuda profissional.
4. Posso dar calmante para a pessoa dormir?
Não ofereça medicamentos sem orientação médica. Mesmo remédios conhecidos podem causar efeitos indesejados ou interações. Siga apenas prescrição já orientada por profissional.
5. Toda crise de agressividade é surto psicótico?
Não. Agressividade pode ter várias causas, incluindo medo, estresse extremo, intoxicação, abstinência, transtornos emocionais, dor ou conflitos. O diagnóstico deve ser feito por profissional.
6. Como saber se preciso chamar ajuda?
Chame ajuda quando houver risco à segurança, perda de contato com a realidade, agitação intensa, confusão grave, comportamento muito diferente do habitual ou quando a família não consegue controlar o ambiente com segurança.
7. O que fazer depois que a pessoa se acalma?
Evite fingir que nada aconteceu. Anote sinais, duração, gatilhos e comportamentos observados. Depois, procure avaliação profissional e construa um plano de crise para prevenir novos episódios.
8. Surto psicótico tem tratamento?
Sim. O tratamento depende da causa, da gravidade e do histórico da pessoa. Pode envolver avaliação médica, psicoterapia, medicação, acompanhamento familiar e mudanças na rotina. Quanto mais cedo a pessoa for avaliada, maiores as chances de estabilização adequada.
9. Como ajudar sem passar dos próprios limites?
Apoiar não significa aceitar agressões. Mantenha limites claros, proteja-se, busque ajuda e compartilhe responsabilidades com outros familiares e profissionais. Quem cuida também precisa de suporte.
10. A pessoa lembra do que aconteceu depois da crise?
Depende. Algumas pessoas lembram com clareza, outras lembram parcialmente e algumas ficam confusas sobre o episódio. Por isso, a conversa posterior deve ser cuidadosa, sem humilhação e com foco em tratamento.
Aviso importante
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, psicológica ou atendimento de emergência.
Em caso de intoxicação, confusão mental intensa, dor no peito, falta de ar, convulsão, risco de suicídio ou comportamento agressivo grave, procure atendimento imediato pelo SAMU 192 ou uma unidade de emergência.

Escrito por Antonio Lima, CRT 00736/18, — Redator da Sophrosyne Saúde Mental
Antônio Lima é redator da Sophrosyne Saúde Mental e desenvolve conteúdos informativos sobre saúde mental, equilíbrio emocional, autocuidado, psicologia e bem-estar. Sua escrita busca aproximar temas importantes do cotidiano das pessoas, sempre com linguagem humana, clara e responsável.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação médica, psicológica, psiquiátrica ou acompanhamento profissional individualizado.
